sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Briga Urbana: Pichação, como o Graffitti, busca status de arte urbana

Por Fernanda Aranda
Foto: Paulo Liebert
Mesmo muro ocupado por grafite e por pichação, no mundo da arte de rua, é sinal de guerra. Expressa rivalidade entre duas manifestações urbanas que, há tempos, se estranham. Mas, ainda que a disputa pelo espaço tenha ficado mais acirrada no último ano com invasões recíprocas de um estilo por cima do outro -, a trajetória dos dois movimentos segue semelhante. Primeiro, os grafiteiros saíram da marginalidade e conseguiram entrar para o rol de artistas. Agora, as letras pontudas dos pichadores caminham para esse status. São três fatores que indicam o novo olhar sobre os rabiscos que, vale ressaltar, pela legislação são enquadrados como crime todos já vivenciados pelos grafiteiros. O primeiro é o interesse de outros países pela pichação. A Fundação Cartier, de Paris, e o próprio governo francês já convidaram pichadores paulistanos para expor seu trabalho no circuito internacional. "Um outro termômetro", avalia Rui Amaral, artista plástico, um dos pioneiros nas técnicas do grafite e especialista em arte de rua, "é que hoje pensar em grandes exposições de arte urbana não descarta a pichação". E uma terceira novidade está na boca de quem picha. "Desde 1985, quando comecei a pichar, nunca tinha recebido elogio. Agora, já começo a ouvir", diz Zé Lixomania, que morou na Europa e tem a fama de ter conseguido espalhar sua marca por todas regiões de São Paulo. O cineasta Lucas Fretin, que em 2002 levantou a bola para o assunto com o documentário A Letra e o Muro, diz que o fato de ser vandalismo não anula a pichação como arte. "Não se pode confundir arte com beleza. Escolher a pichação como arte ou não " é completamente arbitrário".

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