sábado, 20 de fevereiro de 2010

Livro revela encontros da argentina Evita Perón com agentes soviéticos

Por Isto É
A ex-primeira-dama argentina Evita Perón participou ativamente das negociações que iriam inaugurar as relações comerciais e diplomáticas entre o seu país e a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Os encontros secretos de agentes do ditador Josef Stalin e líderes argentinos começaram logo após a Segunda Guerra (ao fim da década de 1940) e aconteciam na residência presidencial e também na quinta San Vicente, propriedade do casal Juan Domingo e Evita Perón. Isso em plena Guerra Fria. Embora Evita não tivesse nenhuma aproximação ideológica com o comunismo, tampouco com o Partido Comunista de seu país, ela foi uma incentivadora da ideia de se restabelecer laços políticos entre as duas nações, como mostram relatos revelados pelos recém-abertos arquivos russos incluídos na reedição do clássico “O Ouro de Moscou” (Record), do jornalista e pesquisador argentino Isidoro Gilbert. O então presidente Perón tentou escapar das tentativas dos EUA de alinhar o país às políticas antissoviéticas e buscou na nação russa uma ferramenta para a industrialização e o desenvolvimento da Argentina.As divergências políticas não representavam nenhum obstáculo, desde que houvesse acordo em relação aos negócios. Uma balança comercial favorável era a meta de Evita, que, segundo o correspondente internacional russo Yuri Daschkevich, “insistia na necessidade de relações de amizade”. Assim, a Argentina exportou alimentos para Moscou e foi remunerada com o ouro soviético. A aproximação de Perón e Stalin em meados da década de 1950 incomodou a comunidade internacional, principalmente a Inglaterra e os EUA. O livro revela telegramas das missões inglesas enviados ao governo da Inglaterra expressando essa preocupação. Uma mensagem oficial escrita meses antes de Perón tornar pública a aliança diplomática com os soviéticos dizia: “O governo americano tem uma visão mais sinistra sobre a missão comercial russa porque se convenceu de que os russos estão ansiosos por estabelecer-se na Argentina, uma vez que esse país é o mais antiamericano da América Latina e, portanto, seria um centro adequado para intrigas contra os EUA.” Em 1979, o governo argentino desrespeitaria o embargo americano e comercializaria cereais com o regime soviético.

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