quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Margareth Menezes acusa Carnaval de favorecer os ricos e decreta fim do abadá e da corda

Por Miguel Arcanjo Prado, do R7
Margareth Menezes faz parte da folia do Carnaval de Salvador desde que a festa se profissionalizou e atraiu foliões de todo o Brasil. Apesar de ser um dos destaques do evento, ela não deixa de usar seu vozeirão para criticar o forte apelo financeiro e valorização do dinheiro na folia. Quem não tem grana, pula do lado de fora da corda. Depois de enveredar pela MPB, Margareth volta às raízes afro-brasileiras em sua música de Carnaval: Saudação ao Caboclo (Selei), escrita por Gilson Quirino. De forte pegada percussiva, é praticamente impossível ouvir a canção sem mexer o corpo. De Salvador, onde faz os últimos preparativos para a festa, ela conversou com o R7. Margareth diz: "Há 20 anos pelo menos. O Carnaval cresceu e ficou praticamente privado. Atende a interesses particulares, muito mais do que ao povo que fica na rua do lado de fora das cordas. Se o Carnaval de Salvador algum dia se tornar Indoor [realizado em lugar fechado com cobrança de entrada], eu realmente não estranharei nem um pouquinho"." Eu gosto de cantar para o povo da cidade que muitas vezes não tem oportunidade de pagar para nos ver e tem essa chance durante o Carnaval. Não gosto de quem sai de casa para brigar na rua. Também reprovo o jeito que a coisa é administrada, nem todo mundo tem dinheiro para pagar e sair mais cedo na fila, que é a ordem de apresentação dos blocos. Infelizmente, isso ainda existe."

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