domingo, 25 de abril de 2010

Humor de mau humor

Por Alline Dauroiz e Keila Jimenez
Quem ri por último... Geralmente tem de pagar um bom advogado. Alvos de eterna comparação e, ao mesmo tempo, negando denominadores em comum, Pânico (RedeTV!), CQC (Band) e Casseta & Planeta (Globo) têm encontro marcado mesmo é nas esquinas dos tribunais. Além de azucrinar celebridades, perseguir políticos e fazer graça com vergonhas nacionais, a turma de humor afiado tem em comum a antipatia do pessoal do jurídico de suas respectivas emissoras: são os reis dos processos na TV. Entre o trio, quem mais fortalece os braços dos advogados (com pilhas de processos) é o Pânico na TV! No ar desde 2003, o programa lidera o ranking de processos da RedeTV! (batendo o famigerado Te Vi na TV, de João Kléber) e fazendo frente aos 20 anos de confusões do Casseta. A turma do Casseta & Planeta também não facilita a vida dos advogados da Globo. Já deram mais trabalho, é fato, mas ainda são brasa acesa no humor. Entre os que processaram os humoristas estão o ex-presidente Fernando Collor, Jorgina de Freitas, acusada de fraudar o INSS, e o empresário do Papa Tudo, Arthur Falk. Em 1997, o Casseta foi alvo de mais de 130 ações movidas por policiais militares de Diadema, região metropolitana de São Paulo. As ações não deram em nada - mas cada uma pedia cerca de R$ 200 mil por danos morais. Os cassetas também foram vetados na Parada Gay em São Paulo e processados por uma entidade gaúcha, por causa de piadas questionando a masculinidade dos sulistas.Marcelo Tas, o líder dos "homens de preto", deveria ter se acostumado a ser levado à Justiça, já que desde a década de 80, quando fazia o repórter inconveniente Ernesto Varela, azucrina personalidades. Porém, define como censura a horda de processos que se acumulam contra os humoristas. "A pressão psicológica e financeira causada pelas ameaças de processo joga os artistas, jornalistas e empresas de comunicação contra a parede. A palavra para definir essa pressão é uma só: censura!". Paradoxalmente, Tas diz que tinha muito mais liberdade durante a ditadura e a transição para democracia do que agora, época em que humoristas são processados "simplesmente por expressar opinião ou fazer crítica". "Há uma escalada galopante do politicamente correto que tenta aplainar e uniformizar toda forma de pensamento inusitado", critica. "Há um retrocesso grave e preocupante quanto à liberdade de expressão no País."Juntamente com o colega Rafinha Bastos, Danilo Gentili é um dos campeões de processos no programa. Segundo ele, a ordem na casa é para que os repórteres não se preocupem com ibope ou Justiça. Depois, é a direção do humorístico quem resolve o que vai para o ar.

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