terça-feira, 11 de maio de 2010

Depressão: O que é ? Como tratar ?

Por Espaço Vida Clínica
É uma doença física como outra qualquer, só que desorganiza as reações emocionais.A depressão é muito complexa e difícil de ser diagnosticada, pois um dos seus principais sintomas pode ser confundido com tristeza, apatia, preguiça, irresponsabilidade e em casos crônicos como fraqueza ou falha de caráter. É muito comum ouvir as pessoas dizer que estão “deprês” ou deprimidas, quando apenas estão chateadas, estressadas ou porque se desentenderam com alguém.Independente do estado de espírito, até o ser mais iluminado perderia a paciência ou se chatearia numa briga de trânsito, invertida profissional, falta de grana, doença na família, perda de um ente querido, desemprego, crise conjugal e etc... Isto é comum na vida das pessoas, oscilamos o nosso humor diariamente. Só que depois de um curto período de tempo voltamos ao normal, sem grandes dramas, correndo atrás do prejuízo. Já a pessoa deprimida ou com predisposição, às vezes com uma chateação corriqueira, pode ser nocauteada e cair num abismo sem fim ou então, ser mais resistente, mas numa crise brava também vai pro abismo. Por que é assim mesmo que se sente um deprimido. Uma pessoa sem perspectiva de vida, sem amor próprio, pessimista, desanimada que não vê graça em nada a não ser no seu isolamento e luto em vida. Na realidade este desânimo perante a vida não é falta de atitude e sim um mau funcionamento cerebral. Porque embora muitas pessoas acham que depressão é frescura, ela é uma doença, um desequilíbrio bioquímico dos neurotransmissores (mensageiros químicos do impulso nervoso) responsáveis pelo controle do estado de humor.Como qualquer outra doença física, o tratamento da depressão será feito após uma avaliação física e psíquica por um médico psiquiatra. O tratamento inclui o aconselhamento psiquiátrico e os remédios antidepressivos, que regulam a química cerebral.Ás vezes a medicação precisa de ajustes, ou tem um efeito colateral incômodo. Por isso é importante a visita periódica para a avaliação médica e o ajuste ou troca do medicamento. Os antidepressivos demoram de duas a quatro semanas para atuar efetivamente na doença. Uma vez restaurada a química cerebral a depressão tende a melhorar e fica mais fácil erguer a cabeça e tomar uma atitude perante a vida. Mas é importante ressaltar que apesar da melhora o tratamento ainda vai continuar por um prazo indeterminado, sob a avaliação do psiquiatra.Além da medicação é importante a psicoterapia, a força de vontade do paciente de correr atrás dos seus sonhos (objetivo), o auxílio da família, dos amigos e de um grupo de ajuda.Quanto mais amparado o paciente estiver, melhor será o processo de cura.

2 comentários:

  1. Olá Paulo!

    EXCELENTE a sua postagem, inclusive coincide com uma abordagem que eu já estou pra fazer há um tempinho.

    Comento sobre esse assunto com o conhecimento de quem já sofreu desse mal e lutou bastante pra se recuperar.

    Acho fundamental esclarecer que depressão é DOENÇA, e não faniquito de quem não tem o que fazer. Durante boa parte da minha vida também considerava que depressão era "doença de rico", coisa de quem tenta arrumar problemas onde eles não existem. Pensei assim até o dia em que aconteceu comigo... Por isso, faço questão de deixar aqui o meu relato:

    Sofri horrores com a depressão por seis longos anos. Até que eu me conscientizasse do que estava havendo comigo e tivesse um diagnóstico, se passaram dois anos.

    No começo eu mesma me achava uma simples preguiçosa. Meu ânimo diminuía substancialmente a cada dia e o prazer pelas coisas também foi desaparecendo. Podiam me oferecer a guloseima mais deliciosa, o passeio mais fantástico, uma jóia de enlouquecer, mas nada, absolutamente NADA fazia com que eu me sentisse feliz de novo.

    O tempo foi passando e eu só piorava. Os sintomas da doença foram ficando evidentes: eu não me cuidava mais, sequer tinha vontade de tomar banho; minha imunidade foi caindo ao ponto de me expor a todas as "ites" que se possa imaginar - tinha amgdalite purulenta, otite, conjuntivite, sinusite - e tudo se tornou crônico. Meu corpo foi ficando coberto de feridas. Junto com o mal-estar físico, meu estado emocional também se deteriorou completamente. Afinal, como eu podia me sentir assim se minha vida era tão boa? Tenho um ótimo marido, um filho que me dá muito orgulho, um trabalho legal, enfim, minha sensação era de estar sendo ingrata com o que a vida me deu.

    Só aceitei ir ao médico (psiquiatra) quando meu estado já estava lastimável. Não me olhava no espelho fazia quatro meses e comecei a dormir o tempo inteiro. A vontade que eu tinha nem era de me matar, porque acho que uma pessoa nesse estado deixa de ter forças até pra isso. Tinha vontade de sumir, evaporar... Me sentia um peso na vida dos outros e não via mais nem sinal de luz no fim do túnel.

    Finalmente aceitei me submeter ao tratamento e comecei a melhorar bastante. O efeito do antidepressivo surgiu já com 15 dias de ingestão. Paralelamente, inciei também a terapia com uma psicóloga, fundamental pro êxito do tratamento. Foram seis anos tomando remédio, sendo que a alta da terapia se deu apenas dois anos depois, mas gostei tanto, que continuo fazendo até hoje.

    Costumo dizer que, por mais que pareça absurdo, todo mundo deveria passar por uma depressão. Porque com o tratamento adequado a gente resolve coisas que nem imagina. Me tornei uma pessoa inteira de novo e me acho muito melhor agora do que antes da depressão se estabelecer.

    Foi uma experiência dolorosa, mas que me enriqueceu demais e me fez descobrir coisas que eu mesma desconhecia em mim.

    Que bom ver seu texto, Paulo. É sempre um alento encontrar quem possa compreender perfeitamente a dimensão desse problema.

    Um grande abraço!

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  2. Tânia muito obrigado pelo seu relato. Só acrescentou na matéria sobre Depressão.O melhor de tudo isso é saber que você superou e deu a volta por cima.
    Grande beijo e bem vinda ao Zump

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