domingo, 29 de agosto de 2010

Com Barrabás como protagonista, José Roberto Torero faz versão pop do Novo Testamento

Por Renato Lemos
Ladrão, assassino, rebelde e salteador. Depois de ler os quatro evangelhos, José Roberto Torero voltou nas páginas e passou o marcador de texto em cima dos adjetivos grudados ao nome de Barrabás. Até então, ele estava na dúvida sobre quem seria o protagonista da sua versão para o Novo Testamento. Pensou em Maria Madalena, em Judas e até em Jesus Cristo, mas achou todos óbvios demais. Barrabás - um homem sobre quem sabia-se muito pouco além dos tais adjetivos - não era nada óbvio. Barrabás era o cara. - Ele era mais amado que Jesus! Quando o povo teve que escolher, escolheu Barrabás - diz o escritor, que trabalhou em dupla com Marcus Aurelius Pimenta, seu parceiro em mais de dez projetos literários. - O bom de um personagem assim, com tão pouca informação, é que se pode criar toda a história dele. Os coadjuvantes são os melhores narradores de uma história. O livro, é bom que se diga logo, não é para ser levado a sério. Os autores narram a história de Barrabás desde seu nascimento - também fruto de uma concepção imaculada, ainda que menos idílica - até a crucificação de Jesus. Eles levaram três anos e meio e escreveram 17 versões. O texto junta referências bíblicas (o "Canto dos cânticos", por exemplo, é transformado em uma cantada amorosa), expressões da época, informações de enciclopédia, Padre Antônio Vieira e muito humor.

Um comentário:

  1. E diriam os especuladores: "Há mesmo um evangelho segundo o apóstolo Judas”.
    O bom historiador e hermeneuta fica a sorrir com tamanha desfaçatez.
    Diria Skakespear: "Há mais mistérios sobre a Terra...”.
    Ao leitor e espectador da história humana resta ouvir a tudo e ver o tempo que despendem os homens com as suas incertezas.
    Eu me calarei com respeito, mas sorrirei, cá dentro, aonde pode levar a vaidade humana.

    ResponderExcluir