quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Documentário com Vik Muniz mistura arte e catadores de Gramacho

Por Heitor Augusto
Desgosto, prazer e catarse. Três sentimentos que o espectador durante Lixo Extraordinário, que terá sua première no Festival do Rio nesta quarta-feira (29/9) no Cine Odeon.Vencedor do prêmio de Público em Berlim e no Festival de Paulínia (onde foi aplaudido de pé), o documentário apresenta o contato do artista plástico Vik Muniz com os catadores de material reciclável do Aterro do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. A partir dessa experiência, surge um novo combustível criativo para Vik e, como contrapartida, os catadores diminuem sua distância com a arte e conseguem condições melhores de vida.Parece mais um acordo do que um filme que surge com os personagens. Dirigido por João Jardim, Karen Harley e Lucy Walker, Lixo Extraordinário, que também passou por Sundance, começa absurdamente arrogante. Vik sai de Nova York e, após passar pela crise artística “para que serve minha obra?”, vai procurar sangue novo no lixão. A arrogância inicial é perturbadora, pois tanto seu comportamento como das câmeras que acompanham seus passos, se parecem com colonizadores.Não é exagero. Parece mesmo um estrangeiro “desbravando” uma “terra virgem”. Que Vik, hoje, é um corpo estranho a um lixão, é normal. Existe uma diferença de classe social explícita. Mas por que a postura arrogante? Isso é algo que incomoda profundamente no início do filme.

Nenhum comentário:

Postar um comentário