sábado, 18 de setembro de 2010

TV nacional completa 60 anos sem sair do ar

Por Gustavo Miller
"Nós fomos pessoas de coragem". Conversar alguns minutos com a atriz Vida Alves, 82 anos, é viajar no tempo da TV em preto e branco, de tubo, revestida de madeira. Ela, famosa por ter protagonizado o primeiro beijo da história da televisão nacional, é uma das poucas pessoas que podem contar, com autoridade, a história da TV brasileira. Afinal, foi uma das felizardas que estiveram nos estúdios da TV Tupi, no dia 18 de setembro de 1950, quando o magnata Assis Chateaubriand, reza a lenda, teria quebrado uma garrafa de champanhe em um dos 20 televisores que tinha comprado para "batizar" o início da transmissão do programa "TV na taba", com Homero Silva. "Estava grávida de oito meses e meio, então não apareci ao vivo. Mas colaborei mesmo assim, assinando a composição da roupa de alguma atriz, como um colar que possa ter emprestado", brinca Vida, em entrevista ao G1. "Nós, pioneiros, éramos jovens que faziam 'TV a lenha', artesanal, que anos depois se internacionalizou e deu lucro. Nós fomos pessoas de coragem", resume. Neste sábado (18), ela será a mestre de cerimônias, a partir das 20h, de uma festa no Memorial da América Latina (São Paulo), com 160 artistas convidados, para celebrar a data especial. Ela estará ao lado de personalidades como Lima Duarte, Chico Anysio e Hebe Camargo, e sabe que terá de repetir a noite toda como foi aquele momento, em 1951, em que beijou o galã e diretor Walter Foster na telenovela “Sua vida me pertence”. A cena foi o primeiro beijo transmitido ao vivo da TV nacional.“Foi um beijo marcadinho, sem ensaio e profundamente técnico. Eu e Walter combinamos a postura, ele pediu autorização para a direção e, eu, para meu marido. Foi um verdadeiro escândalo para a época”, diz, terminando a entrevista com uma frase de efeito. “A TV é reflexo da sociedade. E vice-versa”.

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