sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Levantamento diz: homens fogem dos médicos

Por Maria Elisa Alves
Cuidar da saúde é uma das últimas preocupações dos homens cariocas. Um levantamento realizado pela Secretaria municipal de Saúde mostra que a grande maioria foge das consultas médicas de rotina e só procura ajuda quando está com problemas mais sérios. Dos cerca de dez milhões de atendimentos ambulatoriais de atenção básica realizados na rede municipal de janeiro a julho, somente 12% dos pacientes eram do sexo masculino (na faixa de 20 a 59 anos). Quando incluídos os idosos, o índice de homens que procuram os serviços de saúde de forma preventiva não ultrapassa os 25%. Mas, quando considerada a atenção secundária (policlínicas e locais de exames), os homens de 20 a 59 anos representam 30%, o que confirma que só procuram serviços de saúde quando já estão doentes. Para mudar o quadro, a secretaria vai criar a Gerência de Saúde do Homem, com a missão de definir estratégias para aumentar o interesse dos homens pelo atendimento ambulatorial. Uma delas é aumentar o horário de atendimento das Clínicas de Família até as 20h para que os trabalhadores tenham mais oportunidades de conseguir uma consulta. Até o fim do ano, estarão implantadas 24 unidades. - Vários fatores contribuem para que o homem não procure atendimento. Tem a questão do horário, o pensamento masculino de que nada de ruim vai acontecer. Também existe o temor de que, se for ao médico, vai achar algum problema - diz Andrea Castro, que ficará à frente da nova gerência. Segundo o levantamento, as especialidades mais procuradas pelos homens são angiologia, clínica médica, pneumologia, psiquiatria, fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia. Para conquistar mais pacientes masculinos, principalmente para consultas de cardiologia (doenças cardiovasculares uma das maiores causas de mortes), a secretaria vai atuar em várias frentes. Uma das ideias é fazer parcerias com empresas para que as equipes masculinas parem, dez minutos por dia, para assistir a orientações de saúde. Uma grande rede de supermercados já adotou a ideia.

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